O fracking consiste na perfuração de um poço vertical de centenas de metros que, ao atingir a rocha portadora do gás, se ramifica em vários poços horizontais. A injeção de grandes quantidades de água, areia e aditivos químicos sob alta pressão fratura a rocha, liberando o gás natural.

Embora persistam as iniciativas para pesquisa e exploração de hidrocarbonetos através do fracking em vários países, a queda dos preços do petróleo tem mantido paralisado um processo que era promovido como uma das grandes soluções energéticas para a região: a exploração de reservas de xisto.

A formação Vaca Muerta, na Argentina, é o único projeto de desenvolvimento massivo de hidrocarbonetos não convencionais (HNC) fora dos Estados Unidos. Enquanto isso no México, sem a participação da estatal Pemex, se realizou a 1ª Rodada de concessões, considerada como um sinal do início de um novo cenário com a liberalização e transnacionalização do setor, após a histórica reforma energética iniciada em 2013. Ambos os países são a ponta de lança do desenvolvimento dos HNC na região, seguidos com atividades incipientes de exploração na Colômbia, Bolívia, Chile e Uruguai; e anúncios oficiais sem resultados concretos no Peru, Paraguai e Brasil. Ao mesmo tempo se abrem cenários de exploração de outros tipos de energias extremas, como o gás associado a carvão na Colômbia e Argentina, e em águas profundas do Pré-sal, no Brasil.

A mobilização social contra o fracking em diversos lugares do continente, permeou o debate público e conseguiu dar visibilidade aos impactos e riscos dessa técnica, ao mesmo tempo em que ações judiciais conseguiram paralisar, mesmo que em alguns casos temporariamente, poços no Brasil e Argentina. No entanto, a maioria dos governos tem mostrado uma posição convicta de seguir avançando com a exploração de HNC, iniciando uma corrida para “espremer as últimas gotas” de combustíveis fósseis.

Se existe uma disparidade na região não é na falta de participação social nas decisões públicas para autorizar ou não as atividades de fracking: em nenhum país tem ocorrido consultas prévias às comunidades afetadas, nem estudos integrados sobre os impactos e riscos desta técnica, tampouco se tem acesso as informações sobre os contratos das empresas, nem se tem questionado os dados dos Estados Unidos sobre as estimativas de recursos não convencionais.

No caso específico do Brasil, segundo o estudo da agência americana, o país possui aproximadamente 245 trilhões de m³, principalmente na bacia do Paraná e com quantidades significativas nas bacias do Solimões, Amazonas, Parecis, Parnaíba e Recôncavo. As estimativas colocam o país em décimo lugar na lista das maiores reservas de gás de folhelho no mundo e o segundo na América do Sul, atrás apenas da Argentina.

Porém, estas reservas não são comprovadas, pois os estudos baseiam-se em interpretações geológicas que não asseguram com precisão a quantidade de recurso existente, se pode ser extraído e, menos ainda, se é viável economicamente. Mas nas últimas décadas o que se observa nos países da América Latina é que os governos estão dispostos a impulsionar essa técnica. No caso brasileiro, em 2013, a Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP) anunciou durante a 12ª rodada de licitações de blocos para exploração de hidrocarbonetos a possibilidade de exploração de recursos não convencionais em todo o território nacional.

A exploração desses recursos ocorre por meio da técnica de fraturamento hidráulico (ou fracking, em inglês), que tem sido amplamente desenvolvida nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, Argentina e México. Consiste basicamente na injeção a altas pressões de um composto formado por água, areia e mais de 600 tipos diferentes de substâncias químicas (algumas já relatadas como radioativas e cancerígenas) dentro dos poços, a fim de fraturar as formações rochosas onde estão localizadas os hidrocarbonetos e, com isso, aumentar a sua permeabilidade e permitir que o gás confinado nas rochas seja liberado e resgatado pelas empresas exploradoras.

Assim, sem consentimento, participação, acesso a informação e estudos independentes, avança a “corrida cega” do fracking na América Latina. Confira no infográfico abaixo mais informações sobre a situação dos HNC no continente, os riscos e ameaças dessa técnica, bem como as resistências nos territórios.

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Comunicacao Ibase

Comentário 1

  1. Fracking no Brasil: riscos e ameaças da exploração do “gás de xisto” | Observatório da Indústria Extrativa
    19 de abril de 2016

    […] saber mais sobre o uso do fracking na região, acesse o Mapa do Fracking na América Latina publicado pela Alianza Latinoamericana Frente al […]

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