Rio de Janeiro, 26 de fevereiro de 2015
Por Ibase

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Para sobreviver na Terra já é preciso o equivalente de 1,5 planetas em recursos naturais. No últimos 40 anos, as atividades humanas geraram tanta pressão nos ecossistemas que reduziu pela metade as espécies de vertebrados do planeta. Os dados são do relatório ‘Planeta Vivo’, produzido pela WWF ano passado, e dão a medida do desafio que temos que enfrentar: já que a demanda por recursos naturais é maior que a oferta, como falar de crescimento econômico dos países? Foi a partir desta premissa que a Fundação Heinrich Böll, em parceria com o Ibase, promoveram na última terça-feira (25) o debate “Porque o crescimento pode ser um problema para garantir o nosso futuro”, com a presença de de Reinhard Loske, ex-deputado federal e professor titular de Sustentabilidade e Dinâmica de Transformação da Universidade de Witten, Alemanha. A proposta foi trocar ideias sobre as contradições e desafios do crescimento, decrescimento, futuro da economia e bem estar social.
Para debater com ele foram convidados a diretora do Ibase, Moema Miranda, o economista e professor da Universidade Federal da Paraíba, José Carlos de Assis, e o economista e professor da Universidade Federal Fluminense, Emanuel Bofe. Loske iniciou o debate dizendo que é necessário um novo modelo econômico, mais sustentável, que beneficie a geração presente e a futura. Este modelo, segundo ele, leva em conta alguns aspectos de mudança de estilo de vida, tais como compartilhar bens e reutilizá-los; inovações tecnológicas, como o aumento da vida útil dos produtos e mais eficiência energética; e questões econômicas, como por exemplo integrar os processo de produção ao consumo para reduzir criar um modelo de suficiência (equilíbrio entre oferta e demanda) e redução do impacto na etapa de distribuição dos produtos.
Debatecrescimento
O crescimento econômico hoje se baseia, muitas vezes, no uso insustentável de recursos não-renováveis, na destruição da diversidade biológica e no nível extremamente alto da emissão de gases de efeito estuda. Se os sistemas de crescimento criados pelos humanos corroem as bases naturais e reduz as opções de desenvolvimento para gerações futuras, eles não podem ser duráveis. Além disso, do ponto de vista social, o crescimento somente contribui para um desenvolvimento sustentável se realmente beneficia pessoas. Por isso, precisamos de pioneirismo para inovações sociais e econômicas, mas também de ações políticas para apoiá-las e divulgá-las – disse Loske.
Moema Miranda, diretora do Ibase, trouxe uma reflexão importante ao destacar que embora concorde com a necessidade de haver um modelo econômico socialmente e ambientalmente justo, não se pode pensá-lo de um ponto de vista global sem considerar as especificidades dos diferentes países.
– No Brasil e na América Latina, apenas o crescimento baseado na reprimarização da economia não implicou diretamente em justiça social. Temos um dos maiores níveis de desigualdade do mundo. Aqui, a pobreza e os povos tradicionais, como quilombolas e indígenas, são criminalizados em suas lutas. Ainda devemos ao mundo uma proposta de economia e uma proposta ecológica feita a partir e com os mais pobres – pontuou.
Para José Carlos Assis, é indiscutível a emergência de reduzir o impacto ambiental no planeta, mas o decrescimento não é uma alternativa. Segundo ele, fazer a economia crescer é fundamental, para ter acesso à inovações tecnológicas e redistribuir renda.
– A Europa está estagnada. Nós, no Brasil, estamos estagnados. Não há outra saída para darmos conta de um iminente desemprego se não estimularmos o crescimento. Sem renda, não temos como redistribuir renda.
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O último dos palestrantes, Emanuel Bofe, fez uma provocação interessante ao professor Loske ao dizer que o Brasil é complexo economicamente e que por isso falar de economia de compartilhamento, em meio à desigualdade, é uma utopia.
– O Brasil é um país de muitas economias. Temos a economia do sertão, da cidade, da favela, do campo, do nordeste que resulta em uma diversidade social, cultural enorme. Sem ter uma base comum entre as pessoas, como adotar uma economia de compartilhamento?
O professor respondeu, ao final da palestra, para o Ibase:
– A economia do cooperação funciona bem para as cidades,para as zonas urbanas, onde é necessário compartilhar veículos e outros bens, como já acontece em países europeus.

Autor

Martha Moreira

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