Rio de Janeiro, 26 de agosto de 2014
ronaldooo
Quinta e sexta-feira passadas foram dois dias de muito debate sobre as unidades de conservação brasileiras. Cerca de 300 pessoas participaram do seminário “Avanços na Gestão por Mosaicos:estratégia territorial de conservação”, organizado pela equipe do projeto “Mosaicos da Mata Atlântica”. Como se trata de um tema bastante difícil e polêmico, as discussões foram quentes e trouxeram várias informações e reflexões para o debate público sobre o papel dos Mosaicos de Áreas Protegidas como estratégia de gestão territorial integrada e participativa de conservação.
Uma das maiores tensões neste tema também ganhou espaço durante o seminário: a aparente dicotomia entre conservação e compatibilização com as atividades humanas já estabelecidas em alguns locais. O representante do Mosaico Extremo Sul da Bahia, Ronaldo Oliveira, afirmou que o Mosaico deve ser uma forma de debater a ocupação da terra, entendendo e garantindo o direito de reprodução da identidade de cada povo. Ele fez críticas a alguns modelos de unidades de conservação, que restringem muito a atividade humana, impedindo o cotidiano e geração de renda para algumas comunidades tradicionais.
“Não queremos viver em ilhas de conservação. Quando vemos um cimento na prateleira, achamos que está tudo bem, compramos sem pensar na cadeia produtiva. Mas, se um ribeirinho carrega um pouquinho de madeira nas costas, para construir uma casa, ele é um criminoso destruidor da natureza. Nós temos que entender os impactos do nosso sistema econômico de forma mais ampla.”
Uma pessoa da plateia ponderou, porém, durante a fala de Ronaldo, apresentando-se como conservacionista:
“Temos que ter cuidado na crítica às Unidades de Conservação que conseguimos construir, porque é uma momento de muita fragilidade da política ambiental. Houve muitos equívocos no início, ausência de consulta pública, entre outros problemas, mas é preciso reconhecer a função fundamental dessas áreas protegidas.”
A coordenadora do projeto no Ibase, Nahyda Franca, fez um balanço ao final da discussão:
“São muitas as visões sobre o tema, que nos fazem avançar. Temos que entender como esse nome bonito de ‘mosaico’ é traduzido nos territórios, com o objetivo de extrair o melhor dessa política pública para a proteção do meio ambiente, mas, claro, para a garantia dos direitos das populações que vivem nestes locais.”
O seminário ocorreu no Colégio Assunção, em Santa Teresa, Centro do Rio de Janeiro. O evento foi dirigido a gestores públicos, conselheiros das UCs e de Mosaicos, educadores, representantes de organizações sociais,universidades, outros atores estratégicos para a questão. O projeto Mosaicos da Mata Atlântica é uma iniciativa da Superintendência de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, do qual a equipe de pesquisadores do Ibase é executor.O projeto tem como foco o fortalecimento da gestão dos Mosaicos Carioca e Central Fluminense, além da criação de estratégias jurídicas institucionais que garantam a sustentabilidade de todos os mosaicos de áreas protegidas de Mata Atlântica do Rio de Janeiro.
Leia também a entrevista com Frederico Loureiro, um dos principais educadores ambientais do país, no Canal Ibase.

Autor

Martha Moreira

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