Rio de Janeiro,4 de agosto de 2014
Vassouraço para conscientizar sobre o lixo
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No último sábado os moradores do Santa Marta, em Botafogo, fizeram um vassouraço na favela. Um grupo de cerca de 30 pessoas encontraram-se no alto do morro e, de vassouras em punho, começaram a varrer e recolher o lixo que iam encontrando pelo caminho. A ação faz parte da campanha “Quero o Santa Marta limpo”, projeto conjunto do Ibase, moradores locais, entre outros parceiros e cujo objetivo é promover uma mobilização em torno da questão do lixo no local.
Segundo Itamar Silva, diretor do Ibase e liderança comunitária histórica do Santa Marta,fazer uma mobilização em torno da questão do lixo representa dar um fim aos riscos de desabamento e melhorar a saúde da população, com a redução de ratos, baratas e pernilongos. A campanha, contudo, não quer somente incentivar a participação dos residentes da favela. Quer também compromisso do poder público. Na ocasião do lançamento, em maio, o gerente da Comlurb no Santa Marta, Luiz de Souza compareceu e informou que a campanha vai aumentar o número de pontos de coleta do morro. O grupo Eco, organização que atua no Santa Marta, fará a cartografia do lixo da comunidade, apontando, assim, os locais em que os novos pontos de coleta serão mais urgentes.
A campanha “Eu quero o Santa Marta limpo vai continuar firme e forte e terminará num amplo debate sobre o porquê da produção de tanto lixo numa sociedade em que o excesso de consumo tem causado malefícios ao meio ambiente. Acompanhar todo essa bem-vinda agitação do Santa Marta pode gerar ideias para outros lugares da cidade, independentemente de renda e classe social. Mas a pesquisadora do Ibase Marina Ribeiro traz um recado importante sob a perspectiva das favelas. “O que também está em jogo aqui é o direito à cidade. Como parte integrante da cidade, a favela tem de ter os mesmos serviços de outros lugares em termos de qualidade”.
Morador do morro, Daniel Liberato joga no lixo uma mentalidade ultrapassada. “É terrível o pensamento que associa favela à sujeira”.

Autor

Martha Moreira

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