Martha Neiva Moreira
No meio de um engarrafamento, um transexual, uma cadeirante, um ator e uma moça rica começam a conversar sobre preconceito. O gancho é a filha pequena do ator que acabara de ter a matrícula recusada em uma escola porque tem Síndrome de Down. A partir daí, cada um dos quatro contam história de enfrentamento de preconceito. Este pequeno enredo é da peça “Os inclusos e os Sisos”, do grupo de teatro da ONG Escola de Gente.
Durante uma hora, os quatro atores divertiram o público que esteve na Fundação Educacional Unificada Campograndense (Feuc) para o seminário “Juventudes em movimento: direito à cidade para quem?”, organizado pelo Ibase, com apoio da AIN/OD. Com um cenário criativo, bom humor e talento, eles terminaram o espetáculo dando um recado bem sério: a riqueza do mundo está no encontro das diferenças! Na plateia estavam jovens atentos, que foaram ao evento debater o modelo de cidade e que alternativas temos hoje para acolher as juventudes?
– O encontro contribuiu para ampliar o debate sobre direito à cidade a partir da perspectiva da juventude. Eles trocaram experiências sobre o que têm feito para garantir o direito à cidade – explicou Marina Ribeiro, pesquisadora do Ibase sobre Juventude.
O que ficou claro é que o direito à cidade está na pauta da juventude, especialmente neste momento do país em que grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e Recife, estão sofrendo transformações em função dos eventos esportivos de 2014 e 2016, sem, no entanto, levar em conta as diferentes realidades da população.
Em Pernambuco, por exemplo, o que vimos durante a Copa das Confederações foi uma higienização do Centro. Retiraram a população de rua e levaram ninguém sabe para onde _ contou Léo Machado, da ONG Juventude e Justiça Ambiental.
Como Léo, vários jovens representantes de ONGs fizeram apresentações em mesas temáticas durante o seminário, que teve tradução simultânea em Libras e contou com a parceria do IFHEP (de Campo Grande), o Grupo Eco (da favela Santa Marta) e o Fórum de Juventudes do Rio de Janeiro, a CAMTRA, o Cedaps, a Escola de Gente, o Conexão G e o Núcleo de Estudos Urbanos da FEUC. Depois das mesas, se reuniram em grupos de trabalho. Ao final Pagufunk, ApaFunk e Levante Popular da Juventude fizeram o encerramento.
O seminário faz parte do projeto “Cidade, Mudanças Climáticas e Ação Jovem”, realizado desde 2011 pelo Ibase, o Grupo Eco, da favela Santa Marta, e o IFHEP, de Campo Grande, com o apoio da AIN/OD. A matéria completa sobre o evento será publicada no Canal Ibase nos próximos dias.

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Martha Moreira

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