Mariana Claudino

Ouvir e trocar as associações de moradores de municípios próximos à área do Comperj em relação aos problemas ambientais da região, a partir dos dados coletados pelo projeto Indicadores da Cidadania (Incid), do Ibase. Este foi o objetivo da Roda de Diálogo que aconteceu no dia 13 de julho, em um sítio em Rio Bonito. No evento, o último de um ciclo nos meses de junho e julho, participaram lideranças de Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Silva Jardim e Areal, que estão entre os 14 municípios  pesquisados pelo projeto, com o patrocínio da Petrobras.


Nas três rodadas, em que os grupos se misturavam, foram discutidos três temas: Esgotamento Sanitário e Água, Unidades de Conservação e Investimentos em Meio Ambiente.

No primeiro tema, as pessoas trocaram informações sobre a falta de tratamento da água e perceberam que a situação nos municípios é idêntica, com tubulações antigas, com mais de 100 anos. Moradores de Areal chamaram a atenção para o fato de que não há saneamento básico, a água é de poço e que os dados do IBGE não reproduzem a realidade do município. Os moradores de Cachoeiras de Macacu estão perdendo o sono com a possibilidade de construção de uma barragem planejada para o rio Guapiaçu – uma solução para o abastecimento de água necessário com a chegada do Comperj. No entanto, para muitas famílias a obra significa graves mudanças, porque a barragem vai coletar a água, mas não encher o rio. A área alagada, próxima de reservas ambientais, vai afetar a produção agrícola da região. Também em Cachoeiras de Macacu, em relação a saneamento e resíduos sólidos, a denúncia de que, na área rural, o carro do lixo passa uma vez por semana e que vai tudo para um lixão. Durante a mesa, a sugestão de um Fórum Ambiental dos Municípios do entorno do Comperj: um comitê para democratizar as informações.

– Esse tipo de desdobramento a partir das rodas de diálogo, como a ideia de um Fórum, é importantíssimo pois as questões estão todas interligadas – explica Rita Brandão, pesquisadora do Ibase e membro da equipe do Incid.

 

Já no debate sobre as unidades de conservação, a péssima conclusão de que as autoridades não consideram os territórios rurais nem as áreas onde existem fragmentos de Mata Atlântica. Em Casimiro de Abreu, teoricamente um município mais protegido, o desmatamento acontece de maneira velada e há carência de fiscalização.


Na mesa sobre o investimento em meio ambiente, muitas reclamações: a coleta seletiva em Cachoeiras de Macacu é péssima, há um sucateamento de distribuição de água no município, o recolhimento de resíduo comum está bastante precário, lixo hospitalar é feito com os resíduos comuns. Em Cachoeiras de Macacu, não existe nenhuma estação de tratamento: ou é fossa séptica ou vai tudo para o Rio Macacu. E ainda: é preciso discutir políticas de conscientização ambiental, arborização, reflorestamento, manutenção dos parques etc. São várias questões além da água. Em Itaboraí , vivem o problema das privatizações. Não há um programa de Educação Ambiental, uma estação de tratamento de esgoto. Não há ideia de onde os recursos são aplicados. Durante a roda, mais uma sugestão: um comitê para democratizar as informações, com gráficos de transparência dos gastos do poder público para a área ambiental: não se sabe em que área esses gastos estão sendo feitos.

 
Na plenária final, a conclusão de que é preciso unificar as lutas e achar os pontos em comum, para que a população tenha mais condições de ser ouvida e respeitada.
Saiba mais em www.incid.org.br.

Autor

Martha Moreira

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