Entre os dias 15 e 18 deste mês, em São Bernardo do Campo, aconteceu a Conferência Nacional “2003 – 2013: uma nova política externa”. O evento, realizado no Campo da Universidade Federal do ABC (UFABC), foi promovido pelo Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI), do qual o Ibase faz parte do coletivo organizador da Conferência. O objetivo foi fazer um balanco da politica externa brasileira nos ultimos 10 anos e refletir sobre a política de relações exteriores do Brasil, em um mundo pautado por aguda crise econômica, por importantes mudanças geopolíticas e pelo enfraquecimento dos organismos multilaterais, ao mesmo tempo que pelo estabelecimento de novas parcerias políticas, econômicas e culturais por parte do governo brasileiro. E, ainda, discutir a inserção internacional do Brasil na última década e as perspectivas das relações exteriores e em política externa do País.
Um dos momentos mais aguardados foi o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no encerramento do evento, sobre Política Externa. Sem comparecer a eventos públicos no Brasil há cerca de um mês, o ex-presidente ministrou uma palestra com o título “Brasil no mundo: mudanças e transformações”. E enfatizou a importância de colocarmos a questão da fome como prioridade no orçamento da União.
 

 
Durante a mesa “Política Externa Brasileira e a Relação com a Sociedade Civil”, discutiu-se o debate de institucionalização das decisões em política externa. Na opinião de Fátima Mello, diretora da FASE, essa questão começa com a luta social, ou seja, com as múltiplas formas de organização acumuladas na ultima década – e que devem se traduzir de modo efetivo na formação da política externa. A política externa ganha maior legitimidade ao ser debatida na sociedade civil e envolve uma questão mais complexa, a de democratizar o Estado. Ainda segundo Fátima, a conjuntura dos acontecimentos de junho nos ajudam a impulsionar essa pauta.
 

 

No primeiro dia do evento, com mais de 500 pessoas no auditório, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, manifestou pela primeira vez a disposição do Itamaraty em criar, até o final deste ano, um organismo consultivo sobre a política externa brasileira – reunindo o governo e representantes da sociedade civil. Nessa ocasião, os organizadores encaminharam ao governo uma carta em que reivindicam  “a criação de um órgão institucional permanente de consulta, participação e diálogo sobre a política externa brasileira”.


Sendo um espaço de debate, reflexão e construção de ideias e que dá lugar a pluralidade de pensamento, a Conferência Nacional “2003 – 2013: uma nova política externa” teve como objetivo contribuir para a análise e formulação das relações exteriores brasileiras e também para a democratização do seu processo decisório. O público-alvo da conferência foram pesquisadores, professores, estudantes, membros de movimentos e organizações sociais e políticas, quadros da gestão pública em RI e todos os interessados pelas relações internacionais, política externa brasileira, política internacional e debates relativos à inserção do Brasil no cenário regional e global.
Para mais informações, o link do evento é  www.conferenciapoliticaexterna.org.br.
Fazem parte do GRRI:
Adhemar Mineiro (DIEESE)
Adriano Campolina (AAid Brasil)
Alexandre Barbosa (USP)
André Calixtre (IPEA)
Artur Henrique Silva (CUT)
Atila Roque (Amnesty Intl.)
Audo Faleiro (Assessoria PEB-Planalto)
Augusto Juncal (MST)
Bianca Suyama (Articulação Sul)
Carlos Ruiz (UEPB)
Carlos Tibúrcio (CCF)
Cristina Pecequilo (UNIFESP)
Darlene Aparecida Testa (CUT)
Deisy Ventura (USP)
Dr. Rosinha (Deputado)
Fabio Balestro (SRI – RS)
Fátima Mello (FASE)
Fernando Santomauro (CRI-Guarulhos)
Giorgio Romano (UFABC)
Graciela Rodriguez (Equit)
Iara Pietricovsky (INESC)
Igor Fuser (UFABC)
Iole Ilíada (FPA)
Jefferson Lima (JPT)
João Felício (CUT)
Joaquim Pinheiro (MST)
Jocélio Drummond (ISP)
Josué Medeiros (OPSA)
Kjeld Jakobsen (IDECRI)
Leocir Rossa (FMG)
Letícia Pinheiro (IRI-PUC RJ)
Luiz Antonio de Carvalho (MMA)
Luiz Dulci (I. Lula)
Luiz Eduardo Melin (BNDES)
Marcelo Zero (Liderança do PT no Senado)
Marcos Cintra (IPEA)
Maria Regina Soares de Lima (UERJ/OPSA)
Maria Silvia Portella de Castro (CUT)
Matilde Ribeiro (SEPPIR-PMSP)
Michelle Ratton (FGV)
Milton Ron(Itamaraty)
Moema Miranda (IBASE)
Mónica Hirst (Universidad de Quilmes)
Nalu Faria (SOF)
Nathalie Beghin (INESC)
Paulo Vannuchi (Instituto Lula)
Pedro Boccal (MST)
Rafael Freire (CSA)
Renata Reis (MSF-Brasil)
Ricardo Azevedo (Assessoria PEB-Planalto)
Roberto Amaral (PSB)
Ronaldo Carmona (USP)
Rossana Rocha Reis (USP)
Rubens Diniz (IECINT)
Salem Nasser (FGV)
Sebastião Velasco (UNICAMP)
Sergio Godoy (FSA)
Sergio Haddad (Ação Educativa)
Silvio Caccia Bava (Inst. Polis)
Terra Budini (SRI-PT)
Tudi Lucilene Binsfeld (CONTRACS)
Tullo Vigevani (CEDEC)
Valter Pomar (PT)
Valter Sánchez (TVT)
Ana Toni (GIP)
Mauricio Santoro (AI-Brasil)
Ricardo Alemão Abreu (SRI / PCdoB)
Camila Asano (CONECTAS)
Juliano Aragusuku (UNICAMP)
Gilberto Maringoni (UFABC)
Vera Massagão (Ação Educativa)
Vicente Trevas (SRI – Prefeitura SP).

Autor

Martha Moreira

Comentários 2

  1. Pascoal
    4 de julho de 2013 Responder

    De suma importância, deve servir para que discutamos o quanto as RI devem servir de base para firmar a nossa pertença e defesa da identidade LA, para permanecermos na luta pela afirmação da soberania nacional e, de modo especial sendo autônomos frente à tentativa de subjugamento dos países ricos sobre/contra os que estão em desenvolvimento.

  2. Felippe Capistrano
    23 de julho de 2013 Responder

    Mais que necessária a ampliação da discussão sobre política externa no Brasil, que historicamente foi um tema de formulação e interesse bastante restritos, mas cuja importância merece um debate mais popular e generalizado. É fundamental que a política externa deixe definitivamente de se pautar por interesses setoriais alheios aos da população. Isto vem acontecendo de certa forma desde 2003 mas ainda precisa ser aprofundado e consolidado.

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