Camila Nobrega
Começou nesta terça-feira (4/6) o 7º Encontro Nacional do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), em Porto Alegre (RS). Com o tema “Que alimentos (não) estamos comendo?”, o evento tem como objetivo pensar a crise do sistema alimentar no Brasil. Especialistas de todo o Brasil e representantes de movimentos sociais estão na capital gaúcha debatendo sobre toda a cadeia dos alimentos, desde a produção, o processamento, abastecimento e consumo.
A secretaria-executiva do Fórum é formada pelo Ibase, representado pela cientista social e administradora Rozi Billo, e pela ONGFase, por meio da nutricionista e especialista em segurança alimentar Vanessa Schottz. Segundo Shottz, a meta do encontro é fazer uma leitura crítica do atual sistema alimentar. Para isso, representantes das cinco regiões do país estão juntos discutindo problemas no âmbito nacional e também regional.
 

 
Após a exibição do filme “O mineiro e o queijo”, que fechou o primeiro dia do evento, mostrando a dificuldade de comercialização de queijos mineiros para todo o Brasil devido a exigências sanitárias, participantes trouxeram exemplos de outros problemas enfrentados em suas cidades. A artesã e agricultora Maria José Silva, do Rio Grande do Norte, explicou os problemas de comercialização de alimentos por pequenos produtores no local:
– Recentemente, montei uma cooperativa com outros moradores para vender polpa de fruta. Fizemos tudo, bancada em inox, todas as exigências de higienização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Mas nos proibiram de comercializar, porque o teto deveria ser meio metro mais alto.
O presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, Élido Bonomo, também presente no evento, engrossou a discussão, a partir da fala da agricultora.
– As leis são feitas e a cobrança chega logo. O governo brasileiro aplica regras semelhantes para o agronegócio de grande porte e para pequenos produtores. Mas a assistência técnica, tão essencial para a adaptação à legislação, essa vem quando der. E demora muito. Colocar regra sem dar assistência é o mesmo que dizer: você está vetado nesse sistema.
A atuação do poder público tem sido um dos principais focos do encontro. Segundo Rozi Billo, do Ibase, o fórum exerce um papel muito importante no debate de políticas públicas voltadas para a garantia do direito humano à alimentação adequada:
– O FBSSAN desempenha uma função essencial não apenas na construção, como também na luta pela aprovação de leis que contribuem para a garantia desse direito, básico à sobrevivência humana.
Uma das perguntas guias do evento é: crise alimentar ou sistema alimentar em crise? A indagação se baseia em um diagnóstico que é consenso entre os pesquisadores da área, de que o sistema alimentar internacional, e mais especificamente o brasileiro, precisam ser revistos.
Para Vanessa Schottz, a questão alimentar não está restrita ao papel biológico da manutenção da vida, tendo relação direta com as dinâmicas econômica, social e ambiental.
– Vivenciamos o domínio das grandes corporações do ramo alimentício. Buscamos identificar novos temas e questões que precisam entrar na agenda política quando o assunto é alimentação.
O encontro vai até a próxima quinta-feira, dia 6 de junho, quando uma carta política do evento será apresentada. Todas as notícias estão no site do fórum, que acaba de ser lançado.
Com colaboração de Gilka Resende, do FBSSAN

Autor

Martha Moreira

Comentários 2

  1. Odon Porto de Almeida
    10 de junho de 2013 Responder

    A ANVISA deve estar atenta para a qualidade de nossos alimentos. No entanto, verifica-se que as transnacionais e o agronegócio usam e abusam dos agrotóxicos impunemente. Os empreendimentos artesanais na medida do possível devem organizar-se em pequenas cooperativas. Ester tipo de organização evita investimentos em aparelhagem subutilizado e também oferece melhor representatividade aos pequenos empreendedores.

  2. Odon Porto de Almeida
    10 de junho de 2013 Responder

    A ANVISA deve estar atenta para a qualidade de nossos alimentos. No entanto, verifica-se que as transnacionais e o agronegócio usam e abusam dos agrotóxicos impunemente. Os empreendimentos artesanais, na medida do possível, devem organizar-se em pequenas cooperativas. Ester tipo de organização evita investimentos em aparelhagem subutilizado e também oferece melhor representatividade aos pequenos empreendedores.

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