Marília Gonçalves
do Ibase
“Só quem está calçando o sapato pode dizer se ele está confortável”. Foi assim que Itamar Silva, diretor do Ibase, deu início à Roda de Diálogos do Complexo dos Macacos e Morro São João, realizada no dia 22 de novembro em Santa Teresa. Mais uma vez, Itamar queria chamar a atenção dos moradores para a importância do momento de manifestar suas opiniões, para que sejam consideradas no programa de urbanização da Prefeitura. No total, foram mais de 70 moradores do Morro dos Macacos, Pau da Bandeira, Parque Vila Isabel, Alto Simão e Morro São João. Depois da abertura, representantes do Complexo dos Macacos – que inclui as quatro primeiras favelas – e São João dividiram-se em duas salas para iniciar o trabalho de revisão dos dados do IBGE sobre os locais, das informações colhidas pelo Ibase e pelo escritório de arquitetura.
Na sala do Complexo dos Macacos, o escritório de arquitetura Vigliecca iniciou as apresentações com o diagnóstico local realizado pelos técnicos. Foram observados os mais variados elementos, como acessibilidade, transporte, coleta de lixo, abastecimento de água, rede de esgoto, entre outros. Em seguida, Glauciane Barros, supervisora do agrupamento 5 pelo Ibase, deu início à apresentação dos dados do IBGE referentes ao Complexo e ao entorno, conferindo e discutindo as informações com os presentes. Depois, o grupo fez, ainda sob orientação de Glauciane, uma consolidação dos dados, ou seja, a comparação entre as demandas levantadas pelo Ibase, as informações trazidas pelo escritório e as opiniões colocadas ali pelos moradores. O mesmo foi realizado com o grupo do Morro São João, orientado pela supervisora do agrupamento 3, Tábata Lugão.
Mais uma vez, ficou claro que a coleta de lixo é um grande problema. O escritório Vigliecca, no seu diagnóstico, identificou a existência de vários pequenos “lixões” nas comunidades do Complexo dos Macacos. De acordo com o IBGE, são locais onde o lixo é destinado a “terrenos baldios ou logradouros”, e isso corresponde a somente 0,36% do lixo produzido no Complexo. Entre as soluções apontadas pelos moradores estão o aumento do número de caçambas, de caminhões, a manutenção dos conteiners e o cumprimento da promessa feita pela Comlurb de que a coleta de lixo seria feita diariamente em horários variados. Além disso, foi falado também sobre a possibilidade de incentivos à criação de cooperativas de catadores, bem como a projetos de reciclagem, o que também seria uma alternativa no âmbito do trabalho e emprego.
“Mulher tem muito mais iniciativa”
O dado sobre a quantidade de mulheres chefes de domicílio na favela e no entorno foi um ponto bastante discutido no grupo do Complexo dos Macacos. De acordo com os dados do IBGE, 49,3% das mulheres no Morro dos Macacos chefiam suas casas, enquanto no Parque Vila (que inclui moradores do Pau da Bandeira), o índice é de 58,2%. Quando Glauciane perguntou aos moradores o porquê deste dado, imediatamente os homens se manifestaram: “a mulher tem muito mais iniciativa” ou “os homens são mais facilmente descartados do mercado, a mulher está mais bem preparada”.
A questão da violência também foi apontada como um elemento importante. Segundo os moradores,  as vítimas fatais da violência policial ou do tráfico são majoritariamente homens, caso em que as mulheres, por estarem viúvas, se tornam chefes de família. No entanto, parece que os papéis estão se invertendo, em termos, no Complexo dos Macacos. Alguns moradores defenderam a ideia de que muitos homens estão ficando em casa e cuidando dos filhos para que a mulher possa trabalhar fora.
Outro dado interessante é sobre a quantidade de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas, segundo o IBGE. No Complexo dos Macacos, de 50% a 100% da população se declara desta forma, enquanto o índice no entorno é extremamente menor. “É como se estivéssemos olhando para dois países diferentes”, afirma Itamar. Para a moradora Euza Borges dos Santos, o dado se explica da seguinte forma: “nós moradores do Macacos somos muito bem resolvidos”.

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Martha Moreira

Comentários 5

  1. roberto osmar
    6 de dezembro de 2012 Responder

    estive na reuniao.fui convidado para outra hoje aqui na comunidade mas devido ao horario e compromissos profissional nao pude estar presente.desde ja .minhas desculpas pela ausencia.temos muito a debater em grupos.hoje por exemplo.cheguei a conclusao de que ha descaso por parte de empresas publicas e privadas quando se refere a comunidades.por ter um celular caro,voce e visto como traficante ou ladrao.morador de comunidade so e bem visto quando e jogador de futebol ou musico.bons profissionais tambem sofrem descriminaçao social.

  2. roberto osmar
    8 de dezembro de 2012 Responder

    NEM SO DE MISERIA E PROBLEMAS NOS VIVEMOS.ONTEM FOI O MEU ANIVERSARIO E POR COINSIDENCIA TIVE CONSULTA COM A MEDICA DE FAMILIA QUE PRESTA SERVIÇOS A COMUNIDADE.DOUTORA JULIANA.EXELENTE PROFISSIONAL.ESSE SERVIÇO PODERIA SER AMPLIADO EM MAIS PROFISSIONAIS DE SAUDE.A COMUNIDADE E GRANDE E PRECISA DE ASSISTENCIA.VALEL……………

  3. roberto osmar
    14 de dezembro de 2012 Responder

    boa tarde.quando houver uma nova reuniao com alguns membros da comunidade,seria possivel a presença de representantes de empresas prestadoras de serviços publicos como,cedae,light,rio luz,empresas de telefonia fixa e movel,quem sabe, empresas de tv a cabo,defesa civil,secretarias de saude,bem estar social,justiça,segurança,sebrae,sesi e senai rj.

  4. Ricardo Malta
    15 de dezembro de 2012 Responder

    Excelente trabalho de pesquisa e cujos resultados servem para mostrar a realidade dessas populações!!! Parabéns!!!

  5. Antonio Ademir Gomes da Silva
    15 de dezembro de 2012 Responder

    Estamos, eu um pequeno grupo, em fase de implementação da Agenda 21 Comunitária em dois municípios do Estado do Amazonas. Teremos que fazer, com aquela comunidade, um diagnóstico socioambiental. Penso que que algumas dificuldades apresentadas nesse trabalho ai no Complexo dos Macacos são comun. VAMOS VER!

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