Logo que saiu da assembleia de apresentação do programa Morar Carioca na Barreira do Vasco, Gustavo Loureiro, morador da comunidade há 29 anos, criou um perfil no Facebook com o nome da favela. Era início de junho. Desde então, o jovem comerciante que chegou na Barreira com apenas cinco anos tem publicado lá notícias do programa e resultados da pesquisa que vem realizando sobre a história do local.
Segundo Gustavo, a motivação para criação do perfil era esclarecer os demais moradores sobre os objetivos do Morar Carioca. “Vi que muitos saíram da reunião confusos, achando que o Morar Carioca tinha a ver com remoção ou o fim da favela”, afirma. No início, Gustavo admite ter compartilhado desta opinião, porque viu que no Morro da Providência, onde o programa já aconteceu, havia algumas reclamações de moradores. Mas resolveu repensar seu ponto de vista quando percebeu que a maior parte dos moradores poderá ser beneficiada. “Pra benefício da maioria infelizmente uma minoria vai ter que sofrer consequência. Mas podem ser muito mais prós do que contras”, explica.
A Barreira do Vasco é uma favela localizada no bairro de São Cristóvão, sub bairro Vasco da Gama. Ela fica bem atrás do estádio São Januário, e já foi uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Hoje, seu tamanho não é tão significante se comparada a favelas da Zona Sul como a Rocinha ou mesmo da Zona Norte, como o Alemão. Situação que reflete, segundo Gustavo, o descaso do poder público, que não deu atenção a favelas como a Barreira há anos atrás.
Há várias gerações a história da Barreira é contada da mesma forma: o terreno onde fica a favela foi doado, parte pelo Estado, parte pela Fundação Leão XVIII. Segundo Gustavo, nem mesmo a Associação de Moradores, no entanto, tinha documentos que pudessem comprovar esta história e, por consequência, dar a posse da terra aos moradores. Na pesquisa, ele descobriu matérias em jornais dos anos 1930 e 1950 que falam sobre a doação do terreno. “Pesquisei no site da Biblioteca Nacional. Foi difícil. Ainda mais para  quem nunca tinha pesquisado, muito menos pela internet”. Também há fotos das primeiras casas erguidas na favela, em 1940.
Para Gustavo, não interessa publicar nada de cunho pessoal na página, mas tão somente notícias e informações relacionadas à Barreira ou a favelas em geral. Por isso, ele preferiu não se identificar na página e não vincular seu Facebook pessoal ao perfil da comunidade. “Eu sei que eu sou um canal de informação. São mais de 200 pessoas recebendo minhas postagens. O mais gratificante
é ver que uma pessoa está lendo, comentando, curtindo e compartilhando uma pesquisa que você fez”, conclui.

Autor

Martha Moreira

Comentários 4

  1. samara
    1 de setembro de 2012 Responder

    é isso ai queridão, mobilizando São Cristóvão!!

  2. ERICK SANTOS
    8 de outubro de 2012 Responder

    OLÁ. GOSTARIA DE TIRAR MUITAS DÚVIDAS QUE TENHO À RESPEITO DESTE ASSUNTO, POIS ESTOU CONSTRUINDO UMA PEQUENA CASA NA BARREIRA.
    POR FAVOR, ENTREM EM CONTATO COMIGO. (21) 2589-2657 / 8524-7080

  3. Anônimo
    19 de outubro de 2012 Responder

    Desde pequena ja existe esta conversa que a Barreira do Vasco vai sair, agora que estão com dinheiro, o povo é que se dane o resto é conversa fiada

  4. ronaldo sardinha
    12 de setembro de 2013 Responder

    Valeu Gustavo! Sou nascido e criado na Barreira e minha mãe ainda mora aí. Gostaria de re ceber essas informações, uma vez que preciso sa ber da situação no momento. Ficarei muito agradecido se for atendido. Procurarei p/vc na primeira oportunidade.

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