Cerca de 25% da população da cidade do Rio de Janeiro tem entre 15 e 30 anos, de acordo com o último censo. Ainda assim, ouve-se por aí lamentos sobre a falta de participação dos jovens na política, uma alienação muitas vezes atribuída ao uso das novas tecnologias. Por outro lado, há por parte desses jovens uma grande desconfiança com relação às instituições públicas e privadas que têm trabalhos voltados para a juventude. É o que afirma a coordenadora da ação Cidadania Ativa, Sandra Jouan. Mas como ganhar a confiança do jovem e estimular sua participação?
Segundo Sandra, o Ibase há muito se preocupa com esta questão, acompanhando ou realizando projetos e pesquisas voltados para essa parcela da população. “O Ibase tem como objetivo manter o diálogo e uma atitude aberta para discussão em torno das denominadas culturas ou subculturas juvenis”, explica.
Grande parte desses jovens que vivem hoje no Rio de Janeiro é morador de favelas ou da periferia da cidade. Tendo isso em vista, é fundamental para o programa Morar Carioca estabelecer um diálogo também com os jovens nas favelas onde está atuando. Diálogo que se dá através do Ibase, uma vez que o objetivo da instituição é estabelecer uma escuta atenta das demandas dos moradores desses locais.

Jovens participam de oficina de comunicação no Jardim América. Foto: Lorena Magalhães.

Perla Vales tem 20 anos e é moradora do Dique, no bairro Jardim América. Ela já participou de duas atividades do programa na sua comunidade, e diz achar de extrema importância a inclusão dos jovens. “Tem muitos jovens preocupados também com as questões da comunidade”, afirma. Quando questionada sobre o que acha da ideia de que os jovens são alienados, Perla diz que muitos estão, sim, mais preocupados com diversão, entretenimento, mas ensina que o que lhes falta é “acreditar que também podem se preocupar com o futuro”.
 
Não só numericamente, os jovens têm significativa presença na sociedade devido aos problemas que enfrentam e à falta ou deficiência das políticas públicas destinadas ao setor. “A emergência da discussão temática da juventude é de enorme importância na sociedade atual, é preciso trazer à tona questões referentes ao trabalho, à educação, ao tempo livre, às drogas, à saúde sexual e reprodutiva, ao gênero, à masculinidade, à violência e expressões sociais do descontentamento, ao mundo simbólico e às práticas socioculturais dos jovens”, afirma Sandra.
Por tudo isso, o programa Morar Carioca abre espaço para a fala do jovem nas suas atividades. Sandra acredita que isso estimula o jovem, que se sente valorizado e traz ideias novas para o projeto, dizendo o que deseja para o local onde vive. “Ele traz suas percepções e contribuições, encontra espaço para apresentar suas propostas, interage com os outros grupos sociais, valoriza a história de sua comunidade. A maioria dos jovens estabelece uma gama de vínculos e redes sociais, ampliando a comunicação com os territórios, tornando este processo mais plural e diverso”, conclui.

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Martha Moreira

Comentários 2

  1. Viviane Manso Castello Branco
    13 de agosto de 2012 Responder

    Prezados,
    Gostei muito de saber da preocupação do Morar Carioca em contar com a participação ativa dos jovens. Nós coordenamos a Rede de Adolescentes e Jovens Promotores da Saúde (o RAP da Saúde), que atua com jovens em diferentes comunidades populares, e temos grande interesse em nos integrarmos a estas iniciativas.
    Att,
    Viviane Manso Castello Branco
    Coordenação de Políticas e Acões Intersetorais
    Secretaria Mun. de Saúde e Defesa Civil do RJ
    89091732
    http://www.elosdasaude.wordpress.com

  2. Joe
    22 de setembro de 2012 Responder

    Entendo que estudar histf3ria deve ser sepmre um exercedcio de entender principalmente o contexto da e9poca, a partir daed os seus personagens e motivae7f5es (quase sepmre associadas ao Poder Sf3cio-econf4mico).De fato concordo com a queste3o que, ao revisitar os fatos histf3ricos lane7ando sobre eles novas luzes, podemos perceber coisas (nuances e sombras) que antes passaram despercebidas (mas que estavam le1 o tempo todo).Assim, a histf3ria passa a ser coisa viva (os fatos se3o imute1veis, a interpretae7e3o deles ne3o).Por fim, o entendimento do presente e uma vise3o do futuro passare1 necessariamente por uma compreense3o do passado (ne3o da decoreba de suas datas e personagens, mas das entrelinhas ).Infelizmente vejo poucos historiadores (em especial os professores desta mate9ria em nossas escolas) com esta compreense3o, digamos, histf3rica.c9 isto mesmo ou viajei demais?

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