Na última terça-feira, 24, o Ibase realizou no Jardim América mais uma “oficina de memória”, com o objetivo de resgatar, através da fala dos moradores, a história das comunidades atingidas pelo Programa Morar Carioca. A oficina durou cerca de duas horas e reuniu jovens e idosos das comunidades do Dique, Parque Furquim Mendes, Nova União, Sossego/Alegria (Ficap) e Vila Beira Rio.
José Cândido, de 70 anos, é morador do Dique e foi um dos convidados da atividade. Segundo ele, o Dique era dividido entre Mangue e Pantanal. Do lado do Mangue não havia condições para moradia, mas, do lado do Pantanal, as pessoas foram construindo suas casas e fazendo a comunidade crescer. Perla, de 20 anos, também mora na comunidade e relata sua lembrança de infância: caminhões de terra entrando no local. Moradores mais velhos explicam que esses caminhões eram encomendados com o objetivo de aterrar o pantanal e crescer seus terrenos, à medida que ia crescendo a própria população.
Os jacarés, pássaros e outros animais, com os quais José conviveu anos atrás, já não são comuns no Dique. “Aqui nunca teve esse negócio de caça. Os animais foram para as casas e ruas com a destruição dos manguezais, e aí sim começaram a morrer”, explica. Vera Lúcia, de 48 anos, moradora da Nova União, conta que muitas casas já caíram na comunidade e muitas outras foram interditadas pela prefeitura. “Mas os moradores continuam lá, pois não têm para onde ir”, explica. “Vim pra cá em 1998 pela possibilidade de ter casa própria. Hoje minha casa está afundando”.
Dona Josefina tem 78 anos e mora em Furquim Mendes desde 1954, quando veio de Sergipe com o marido. Para ela, muita coisa melhorou na comunidade nestes quase 60 anos. “Não tinha ônibus, não tinha nada disso que tem aqui hoje. Está muito melhor”. Dona Josefa, como é chamada, cita também a urbanização como um avanço no Jardim América.
O desafio da água potável
Em pelo menos uma coisa os moradores concordam: o desafio que foi, historicamente, o acesso à água potável na região. Edna Anizis, moradora do Dique e agente comunitária do Ibase no Programa Morar Carioca, lembrou que, até pouco tempo atrás, os moradores só tinham acesso à água limpa através do “rola”. Era assim que chamavam os grandes barris que chegavam rolando com água limpa até as casas dos moradores. Água que era usada para lavar roupas, tomar banho ou para beber.
A oficina de memória faz parte da ação Cidadania Ativa, que o Ibase está realizando dentro do Programa Morar Carioca. O objetivo é ser instrumento de registro e sistematização das demandas da população de todos os lugares onde a prefeitura está atuando com o projeto de urbanização, garantindo espaços de participação onde os moradores possam praticar sua cidadania.

Autor

Martha Moreira

Comentário 1

  1. Glauciane
    14 de agosto de 2012 Responder

    Queremos que sejam publicadas informações do Macacos. rsrs Trabalhamos lá. rs Beijocas!

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