Natália Mazotte
do Ibase
Se falarmos de cidadania com nossos pais e avós, veremos que a essência do conceito se manteve praticamente inalterada ao longo dos últimos anos. Mas, se discutirmos os fazeres da cidadania, as diferenças geracionais ficarão mais claras.
Falar de cultura digital e de cidadania ao mesmo tempo leva a esse debate sobre novas e velhas formas de participação. Isso ocorreu ontem na mesa “Cidadania e cultura digital”, com Ivana Bentes e Pedro Markun, parte do ciclo de conferências “Cidadania e…”, promovido pelo Ibase na Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, atividade comemorativa dos 30 anos da instituição.
Nada mais paradigmático nesse admirável mundo novo da internet do que as portas escancaradas para a participação. O webativista Pedro Markun deixou isso bem claro em sua apresentação.
“Para de ficar reclamando no Twitter e faça alguma coisa. Hoje as ferramentas permitem isso. Hoje o cidadão tem o poder de passar por cima de uma decisão vertical e criar o seu próprio canal de diálogo”, disse.
Encontros de hackers, dos quais Markun participava, começaram a envolver não apenas programação, mas o uso das tecnologias para o “empoderamento” social e para estimular transparência. Estava formado o grupo Transparência Hacker.
“Somente entendendo como a máquina funciona podemos subvertê-la. Precisamos entender os mecanismos. Vamos entender como se faz uma lei, como se faz um Orçamento, como as coisas se processam na prática. Repensar o nosso papel como cidadão nesse jogo, agora que somos detentores desse poder que é a internet. E cito o meu filósofo favorito, Ben Parker, tio do Homem-Aranha: ‘grandes poderes trazem grandes responsabilidades’”, argumentou o ativista.
Ivana Bentes, diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, também ressaltou a universalização  potencial da participação, da mais trivial à mais engajada, por causa dos meios digitais.
“Com a crise dos mediadores clássicos, sindicato, escola, editora, gravadora, surgem novas formas autônomas e livres pra produzir e compartilhar conhecimento, cultura, dados, informação. Práticas que eram apropriações de determinados grupos estão liberadas para uso geral”, afirmou.
Na plateia, a discussão ecoou entre pessoas mais jovens e mais experientes, entre elas um dos fundadores do Ibase, Carlos Afonso. No final, até os mais apocalípticos estavam se sentindo mais integrados, um pouco hackers, ou pelo menos desejando ser um.

Autor

Martha Moreira

Comentário 1

  1. Christian
    21 de setembro de 2012 Responder

    Concordo com vocea em partes. E tendo a reiaestpr mais aqueles que manifestam suas bandeiras em seus blogs. Vimos nestas eleie7f5es que muito neutro’ por aed acabou, por necessidade e9tica, confessando seu posicionamento partide1rio, apesar que outros preferiram tentar sustentar o mito da imparcialidade’.Houve ate9 terceirizae7e3o de campanha nas faltimas eleie7f5es.Mas acho que um evento como este e9 ve1lido quando se permite. Talvez os prf3ximos sejam mais ajustados e0s especificidades da web. Talvez um prf3ximo permita uma moderae7e3o melhor.Boa notedcia e9 perceber uma abertura para a cobertura alternativa dos blogs. Sinceramente espero que isso continue e amaduree7a. E fique cada vez mais frequente.

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